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O CRAVO E A MUSICISTA

Posted by at julho 26, 2015 Read our previous post

Todos os dias, antes de dormir, Joana D'Arezzo sentava-se em seu cravo e começava a compor tristes melodias de solidão e de como é vazia a vida de solteirona. Os moradores do prédio em que ela morava já conheciam esse ritual, pois isso acontecia sempre nos mesmo horários aos finais de semana, ou em suas folgas da Orquestra Sinfônica de Sergipe.

Aquilo tudo durou até o dia em que Joana se apaixonou perdidamente pelo novo maestro que veio do Rio de Janeiro para substituir temporariamente o antigo, que teve de se afastar por motivos de saúde. O sentimento dele por ela era recíproco, mas tinha que ser mantido em segredo, pois ele era maestro recém-chegado; não podia ser visto em público com ela, para não causar conversas na orquestra. Ela aceitou que eles se vissem em seu apartamento e ele aceitou isso sem problemas.

Desse dia em diante, sempre que ele ia até o apartamento dela, tocavam a quatro mãos e seminus, as mais belas obras de Chopin, Bach, Brahms e Beethoven. Após essas preliminares musicais, faziam amor selvagem, no melhor estilo Schopenhauer de ser.

Um dia, ao final de uma apresentação de Natal que aconteceu no Teatro Tobias Barreto, Joana descobriu amargamente, quando foi dar-lhe os parabéns, que o maestro era casado com uma famosa harpista alemã e tinha um casal de filhos violinistas.

Transtornada pelo amor avassalador que despertou pelo maestro e incrédula quanto ao fato dele ser casado e ter família, ela lhe escreve um bilhete, vai até o maestro, lhe dá um abraço de felicitação e o coloca dentro do Smoking do mesmo, saindo rapidamente do teatro aos prantos.

Ao chegar em seu apartamento, ela toca sua peça autoral mais recente. Ela dura cerca de duas horas sentada no cravo, tocando e colocando suas lágrimas em cada frase da peça. Ao final, ela atira o cravo pela janela e pula em seguida sem pensar duas vezes, da varanda do oitavo andar do prédio onde mora, como que de mãos dadas com um anjo da morte num voo solitário, até o solo duro e frio daquele início de madrugada.
O cravo despedaça-se primeiro, recebendo o corpo de Joana logo em seguida, sem chance alguma de que ela sobreviveria ao impacto. Os moradores do prédio logo que colocaram a cabeça pra fora da janela, desceram correndo e começaram a ligar para o SAMU, fotografar e postar as fotos nas redes sociais, anunciando o suicídio de Joana D'Arezzo. O maestro, quando viu a notícia através do celular da esposa antes mesmo de chegar em casa, ficou surpreso com a notícia. mas para não alardar a família sobre a ex-amante, não demonstrou nenhum sentimento de culpa ou perda.

Quando adentrou em seu quarto e tirou o Smoking, um bilhete caiu sobre a cama. Sem saber a origem daquele estranho papel dobrado, ele pegou o bilhete, sentiu que estava perfumado, abriu-o e nele estava escrito em letras garrafais: "NÃO DÊ ESPERANÇA À PIANISTA".
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