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COISAS QUE ACONTECEM.

Posted by at maio 29, 2015 Read our previous post

Bebiam nos fins-de-semana, sempre a partir das vinte horas das sextas-feiras, como um alívio psicológico, físico e sagrado. Sempre no mesmo bar da Orla do Bairro Industrial, marido e mulher se encontravam. Ela se chamava Mariana, secretária de uma advogada muito respeitada em Aracaju, a Dra. Berenice Miranda. E ele Maurice, gerente muito conceituado de uma loja de materiais elétricos e hidráulicos, cuja matriz ficava situada em um prédio no centro da cidade.

Ambos seriam um casal feliz, com muita coisa em comum a começar pelos nomes que possuem a mesma letra inicial, e pelo bairro em que se conheceram, casaram e estão morando atualmente, o bairro Jardins, se eles não bebessem tanto e ficassem tão bêbados todos os finais de semana no mesmo bar. Já eram até amigos do dono, um quarentão moreno, forte, e de voz grossa, que muitas vezes colocava as cervejas, doses de uísque, covers artísticos e drinks na conta deles. Beber até cair já tinha se tornado rotina para ambos. Tanto era que no dia posterior ao que eles bebiam, quando acordavam, sempre faziam juras de nunca mais encostar-se a álcool, tamanha era a ressaca que invadia seus corpos. Mas essas juras eram sempre falsas, pois ambos sempre bebiam como que por competição, pra ver quem aguentava mais.

Muitas vezes, bebiam tanto que nos finais de noite, altas horas da madrugada, só restavam o casal e o dono no bar, que muitas vezes dispensava os garçons apenas para ficar de olho em Mariana, desejando-a. Ela também fazia por merecer, pois a mesma, além de moradora de um bairro da zona sul da capital, era de uma beleza e de uma vaidade extrema: cabelos pretos lisos e naturais, pele alva, olhos cor de mel, nariz fino, seios médios, cintura de violão, coxas grossas e uma bunda bem desenhada, dessas de comercial de lingerie. Resumindo tudo: era uma boneca de louça com curvas. 

O dono do bar, vendo todo aquele material quase à sua disposição, muitas vezes, passava olhares deveras insinuantes para Mariana. Esta, também não fazia por menos e dava muita bola pra ele, nas muitas vezes em que o marido apagava na mesa de tão bêbado que ficava, ou quando o marido se distraía com as canções que os músicos da noite estavam cantando e tocando. De vez em quando, quando ela ia ao banheiro, era seguida pelo dono do bar, que dava uns amassos nela, antes dela voltar para a mesa. E ela, mesmo com o gosto da saliva do dono do bar em sua boca, fazia questão de beijar o marido, para que ele pudesse sentir o quanto é corneado.

Mas como todo cliente VIP que se preze, apesar do nível social deles, a conta no bar começou a ficar muito alta e o dinheiro muito curto. Seria melhor que ambos parassem de beber até que a conta estivesse fora do vermelho. Porém o alcoolismo já falava mais alto e ambos continuavam sempre bebendo sem se preocupar com essa questão financeira. E o dono, por estar sempre de olho em Mariana, já obtendo sucesso em algumas investidas, aceitava que bebessem de graça e colocassem as bebidas na conta que eles tinham. E detalhe: eles eram os únicos clientes que possuíam conta fiado no bar. Algumas vezes, por incentivo da própria Mariana, o dono do bar até emprestava dinheiro para Maurice, para que eles deixassem o carro no estacionamento, pudessem pegar um táxi e não fossem para casa dirigindo naquele nível, pois ambos nunca tinham condições nem de ficar em pé algumas vezes.

Mas o que essa bondade, e amizade, toda entre o dono do bar e o casal escondia, era uma traição consentida da parte de Maurice. Por mais que fosse feliz com Mariana, a mesma sempre se queixava de que algo de caráter sexual faltava no relacionamento. Quando foram pela primeira vez no bar, ela disse que o dono do bar despertou nela uma excitação incontrolável. Então como forma de suprir o enorme desejo da mulher, que por mais que tentasse não conseguia satisfazer, o mesmo bebia até apagar, para que Mariana, sua esposa se encontrasse com o dono do bar, de forma muitas vezes descarada, para terem relações sexuais no fundo do próprio bar em troca de bebidas e de saldar as dívidas das mesmas. Essa traição foi mantida em segredo até que com o tempo, além de ficar conhecido entre a família deles, e entre os amigos do casal, o fato passou também a ficar conhecido entre os moradores do condomínio, e mais adiante, em todo o bairro em que eles moravam.

Após mais de um ano de sexo casual e adultério consentido, os encontros consentidos por Maurice, entre Mariana e o dono do bar geraram um fruto. E dessa traição surgiu um filho, que mesmo com a desaprovação dos amigos e da família (pois não era parecido com nenhum dos dois) fora registrado por Maurice como filho dele. E apesar do menino ser a cara do dono do bar, ele foi registrado como Maurice Antônio de Morais Júnior, e criado com todos os luxos que um morador da zona sul tem direito.

E qual foi o destino de Mariana, Maurice e do dono do bar depois desse acontecido? Infelizmente todos estão vivendo felizes para sempre. Ela dando pra o dono do bar de todas as maneiras sexuais possíveis; Maurice aceitando a traição, bebendo de graça e criando o filho do dono do bar. E o dono do bar continua gozando em Mariana, a rapariga rica dele, e em muitas outras raparigas, esposas sexualmente insatisfeita de homens de todos os bairros da capital, que aparecem no bar de vez em quando, procurando pelo dono do mesmo, por recomendação da própria Mariana. Esposas que são tratadas com todos os luxos de um matrimônio capitalista do século XXI. Só que todos nós sabemos que homem que dá luxo demais à mulher, ela trata como chiclete no sapato: arrasta ele no chão até que ele desgrude. Depois que o homem desgruda, ela pragueja contra o mesmo, pois ainda fica com o solado manchado. Mas isso aí já é outra história.



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