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O PEIXE QUE NÃO SABIA NADAR.

Posted by at dezembro 15, 2014 Read our previous post
Todos os dias, no município que trabalhava, que era a Ilha de Santa Luzia, também conhecida como Barra dos Coqueiros, que se unia à capital por uma ponte recém-inaugurada, Marlim cruzava com aquela, cujo coração palpitava mais forte, os hormônios entravam em ebulição e o mesmo julgava ser a mulher da sua vida. Mas a timidez de se declarar era tanta, que ficava calado, perdendo todas as oportunidades de revelar-lhe seus verdadeiros sentimentos. E isso só alimentava ainda mais, o platonismo que sentia por ela.

E quem era ela? Uma bela e jovem vendedora de peixes ornamentais, chamada Iara, cuja lojinha ficava há apenas cinquenta metros do escritório, onde Marlim era estagiário. Iara tinha traços indígenas, curvas de mulher negra, pele branca e era dona de uma bela voz, sendo sempre comparada a uma sereia, pelos demais homens do local, quando cantarolava.

Numa bela tarde de outono, ao sair do trabalho mais tarde do que o horário habitual, Marlim avistou Iara de braços dados com outro rapaz, que lançava nela um olhar de ternura e paixão. Beijos eram impossíveis de não serem vistos entre o casal. Ora ele beijando-a, ora ela arrancando-os dos lábios do seu amado.

Transtornado pela paixão, Marlim resolve, de maneira poética, se matar assim que chegar a sua casa, escrevendo a mais bela carta de amor para ser lida por todas as pessoas do mundo e depois tomando veneno. Mas por ironia do destino, enquanto passava pela ponte do rio que atravessava a sua cidade, foi atingido por um veículo e caiu de uma altura de um prédio de sete andares, dentro d’água, de maneira abrupta.

Sem saber nadar, sentiu seu corpo afundando, sua visão escurecendo e seus pulmões se enchendo de água. Tentou falar alguma coisa enquanto afundava. Mas só o que saiu de sua boca foram suas últimas bolhas de ar. E por não ter sido salvo a tempo, morreu afogado em palavras que nunca disse.

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