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O MANDRIÃO.

Posted by at dezembro 08, 2014 Read our previous post
Morador desde que nasceu no bairro Cidade Nova, Zona Norte da capital, Lui amava o ócio e a preguiça, mais do que amava o trabalho e o dinheiro. Para que evoluir na vida se tinha tudo dentro de casa: dormia a hora que queria e acordava quando queria, sem mover um músculo e sem derramar uma gota de suor? Todos os seus parentes o odiavam por ele ter chegado aos quase quarenta sem ter um trabalho fixo e ainda ouvirem a mãe falar que ele irá receber uma bela pensão mensal quando a mesma falecer. E o odiavam ainda mais por ele ser tão preguiçoso.

Preguiçosamente também, Lui se tornou anarquista: nunca tirou carteira de identidade, CPF, carteira de trabalho e nunca serviu às forças armadas, não existia dentro do país e fazia por onde ser uma lenda no bairro onde morava, pois quase ninguém o via sair de casa.

Um dia, por ordem expressa do governo, que era inicialmente democrático, mas logo mostrou a foice, o martelo e suas ideias vermelhas, todos os cidadãos com mais de trinta anos foram obrigados a irem receber o presidente do país no aeroporto. Todo mundo da sua família estava lá, menos Lui. Ele achou mais cômodo assistir pela televisão.

A chegada do presidente fora transmitida ao vivo por quase todas as emissoras. Assim que ele desceu da escada do avião e tocou os pés no solo, um poderoso grupo terrorista se manifestou, e empunhando armas de vários calibres, matou a todos sem exceção. Todos menos ele, que assistia o massacre dos seus pela televisão. Só Lui, aquele que morria de amores pela preguiça, se salvara. 
Lui por preguiça, não foi ao enterro dos parentes e ficou feliz porque com sua mãe falecida, iria receber uma gorda pensão. Ele dormiu preguiçosamente e acordou dois dias depois, com fome. Olhou para os cômodos vazios e chorou, como um bebê recém-nascido, tamanho o desespero.

- Mas as e agora: quem vai fazer a comida, lavar-lhe as roupas e pagar as contas?

Lui virou um mendigo com casa própria e faleceu três semanas depois, de fome, com a geladeira e a dispensa cheias de comida. Morreu em função do ócio, porque nunca aprendera a evoluir. A vida que tinha o ensinou apenas a se encostar, dormir, acordar e esperar.


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